quinta-feira, 16 de Abril de 2009

"Um Mundo Culturalmente Naufragado"

Utilizando as palavras de Joaquim Gonçalves, Bispo de Vila Real, vivemos lamentavelmente "num mundo culturalmente naufragado" e com apenas três palavras define-se de forma sábia a nossa sociedade.
O saber não ocupa lugar e nos nossos dias este estribilho popular é tido literalmente; o saber já não ocupa lugar algum...
Há menos analfabetos e mais doutores mas não passam de papagaios sem cultura e criatividade para usar em novas situações, limitando-se a repetir o que foram decorando e ouvindo nas salas de aulas com o único objectivo de acabar o ano, fazer a cadeira, ser doutor, passar a ser o dê erre fulano de tal.
Poucos são os que se entregam ao conhecimento, a adquirir mais saber, aprender, saber o porquê. E isto porque o mundo vive a cultura da recompensa imediata, o materialismo feito filosofia de vida. Tudo seria diferente se divinalmente surgisse uma recompensa imediata e palpável assim que um livro fosse lido! As bibliotecas estariam cheias, as salas de teatro esgotadas, as exposições todas vistas...
Como se explica que a cultura compensa?! Como se explica a um "doutor" saído da universidade que não sabe nada, que não é ninguém se não for capaz de continuar a estudar pela vida fora? Que o conhecimento não é um dado adquirido? Como se mostra que a recompensa do saber é muito maior e mais importante e duradoura que os estatutos sociais, carros, casas, contas bancárias?
A sabedoria compensa diariamente, em todas as situações, minuto a minuto, segundo a segundo, mesmo que seja percebido num futuro e por alguns...
A sabedoria dá serenidade, ensina a esperar. É tolerante porque é sábia, conhece o percurso do homem. A sabedoria é cheia de criatividade e de humor!
Mas estamos assim.. numa época do toma lá dá cá. Se não dá lucro não vale a pena. E nos entretantos, a falta de cultura e os interesses exclusivamente económicos vão roubando a humanidade ao homem porque o saber também dá moral, ética, responsabilidade civil, amor ao próximo.
Sabiamente, há que saber esperar, tudo tem o seu tempo e vivemos numa roda que nos faz viver em ciclos e se estamos em crise económica é porque de uma maneira ou de outra este modo de vida está a entar num limite.
Ninguém gosta de viver na ansiedade, em stress constante, em depressão. Ninguém gosta de se sentir irrealizado, inútil. Ter amigos só aos fins-de-semana para jantares de descompressão e às segundas voltar a uma rotina que enfastia, que é dada viver porque dá menos trabalho seguir a maioria e deixar-se ir na corrente, porque até para construir uma vida realmente plena é preciso sabedoria, é preciso pensar.
E basta olhar à nossa volta para nos apercebermo-nos que é assim que a maioria vive: num estado depressivo e em constante ansiedade.
Pobres meninos ricos.

sábado, 14 de Março de 2009

Podia Ser Um Desenho

Vou desenhar com palavras
O murmúrio frio
Do mar
O sol e a areia
Um descanso de olhos fechados
Olhos postos numa linha
Longe. Horizonte.
O murmúrio do mar
E da gente
Que se revitaliza, Que vive!
Que é feliz (ou não), Que vive!
Vou desenhar com palavras
O mar o sol a areia
Enfim, a praia.

E se desenhar a praia
Vou também desenhar
Um sobreiro
Um mosteiro
Montes e vales
Um cansaço ofegante...
Muitas canções e música
Notas de melodias que aconchegam
E são família
E são identidade
São rumo. Destino.

Podia desenhar-te a ti
Meu amor
Mas estás guardado no meu coração
E sei-te de cor
As cores, as linhas
Curvas e rectas
Ascendentes e descendentes
Sei-te fundido em mim
Feito num pequenino
Que abre todo o caminho ao futuro!
Que nasceu na altitude
E no alto morrerá!

E tudo mais podia desenhar
Com letras de várias
Cores. Cores. Cores.
E sabores!
Ah! Porque esses também
São amores!
E desamores...

07 de Martço de 2009

quinta-feira, 12 de Março de 2009

Queria que esta fosse uma mensagem de apresentação do meu novo e "amado" projecto "my Beloved Craft", uma apresentação cheia de fotografias do trabalho que tenho desenvolvido nos últimos dois meses, um trabalho artesanal que fui ressuscitar às habilidades adquiridas na infância e sempre desprezada por uma imaturidade que não liga à arte que pode estar na tradição e nas nossas mãos.
O crochet.
Desde menina que vivo com a imagem da minha mãe sentada a labutar incessantemente numa renda branca magicamente saída de uma linha e de uma agulha. Aprendi a fazer e toscamente fazia uns quadradinhos abertos e outros fechados, uns maiores outros menores. Irregulares. Mas o aperfeiçoamento ficou guardado, quase perdido nessa infância e juventude pouco dada a labores.

Mas este ano (e agora rendo-me à astrologia que previa para o meu signo um ano virado para a criatividade...) comecei-o com vontade de criar, de imaginar, de acordar uma criatividade que sempre tive (em qualquer coisa!) e que estava adormecida.
Primeiro foram cachecóis simples feitos no chamado ponto aberto (serviu para treinar a mão e acertar o ponto), depois capas para telemóveis, porta-lápis e porta-moedas. As flores vieram depois e aqui a imaginação ganhou mais asas que levaram às mochilas que agora estou a fazer. Lindas!
Já fiz muitos trabalhos e ao que parece do agrado de muita gente que não me deixou ficar com nada para dar início ao blog que apresentaria a obra desta artesã. Por falta das fotografias esta não foi a mensagem de apresentação que gostaria que fosse, cheia de fotografias! Mas prometo que se visitarem nos próximos dias my Beloved Craft poderão ver o trabalho que ando a fazer e a deixar-me tão esquecida destas páginas.